
O Brasil registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025, segundo o relatório Cenário Global de Ameaças 2026, produzido pela Fortinet com dados do FortiGuard Labs. O volume equivale a cerca de 1,4 milhão de investidas por minuto e evidencia a crescente sofisticação do cibercrime impulsionado pelo uso de inteligência artificial.
O estudo mostra uma expansão de 535% na distribuição de malwares no país em relação ao ano anterior. Segundo a análise, grupos criminosos passaram a operar com estrutura organizada, replicando modelos industriais que cobrem todas as etapas do ataque, desde a identificação de vulnerabilidades até a execução final das invasões.
Nesse cenário, o uso de soluções de monitoramento contínuo, como sistemas SIEM, ganha relevância nas estratégias corporativas de segurança digital. Essas plataformas permitem consolidar registros, identificar padrões anômalos e acelerar respostas a incidentes em ambientes com alto volume de dados.
Avanço de ataques mais direcionados
Os malwares seguem como uma das principais ferramentas utilizadas pelos atacantes. O Brasil registrou 187,5 milhões de detecções em 2025, além de 89 milhões de ações associadas a botnets, redes de dispositivos comprometidos e controlados remotamente.
A análise técnica do relatório utiliza o modelo Cyber Kill Chain para mapear as etapas das ofensivas digitais. Na fase de reconhecimento, foram identificadas cerca de 5 bilhões de varreduras em redes. Já na etapa de entrega, o país enfrentou milhões de tentativas de infecção via downloads maliciosos e documentos adulterados.
O levantamento também aponta um aumento de 70% em ataques de força bruta no Brasil, enquanto a média global caiu 22%. Para os pesquisadores, essa diferença indica maior eficiência dos criminosos, que passaram a usar algoritmos para direcionar investidas a alvos mais valiosos e com maior potencial de retorno.
Pressão sobre sistemas digitais no Brasil
Entre os ataques de impacto direto, o Brasil concentrou 743 bilhões de tentativas de DDoS em 2025, alta de 119% em relação ao ano anterior. Esse tipo de ofensiva busca sobrecarregar servidores de serviços digitais, incluindo bancos, e-commerces e plataformas públicas.
Os casos de ransomware somaram 35 mil ocorrências no período. A prática envolve o bloqueio de dados e a exigência de pagamento para restauração do acesso, consolidando-se como uma das principais ameaças ao ambiente corporativo.
Frederico Tostes, country manager da Fortinet Brasil e VP Regional de Vendas, destacou em nota que as projeções para o futuro exigem atenção redobrada do mercado corporativo e do poder público. Para Tostes, nos próximos anos o crime cibernético vai operar cada vez mais como uma indústria altamente organizada, criando um ecossistema que incorpora automação, especialização profunda e inteligência artificial para maximizar lucros e contornar defesas tradicionais.






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