Foto: Geoffrey Moffett/Unsplash

À medida que cresce a quantidade de data centers, aumenta também a preocupação com um fator que ainda pesa pouco nas avaliações financeiras: o impacto das mudanças climáticas sobre esses ativos. Um estudo da Schneider Electric conclui que grande parte desse risco ainda não é considerada no valor patrimonial dos empreendimentos. Segundo a empresa, investimentos em estratégias de resiliência climática podem reduzir em cerca de um terço a exposição financeira provocada por eventos extremos e outros impactos ambientais.

A pesquisa, conduzida pelo Instituto Global de Pesquisa da Schneider Electric (SRI) em conjunto com a divisão global de consultoria da companhia, estima que aproximadamente US$ 388 bilhões (o equivalente a 38% do patrimônio físico global dos data centers) estejam sujeitos a riscos climáticos que ainda não foram incorporados às avaliações dos ativos.

O levantamento mostra ainda que a expansão da infraestrutura voltada para inteligência artificial tende a ampliar significativamente essa vulnerabilidade. Dependendo do ritmo de crescimento previsto para os próximos anos, a exposição financeira pode alcançar entre US$ 1 trilhão e US$ 3,7 trilhões, refletindo o grande volume de novos projetos em desenvolvimento.

Outro dado destacado pelo estudo é que os data centers construídos para atender às cargas de trabalho de IA apresentam um risco físico por gigawatt 2,6 vezes maior que o observado nas instalações mais antigas. Isso ocorre principalmente porque interrupções em ambientes de alta capacidade provocam impactos financeiros muito mais elevados.

Diferenças entre regiões

A análise também aponta diferenças importantes entre os mercados globais. A China aparece como a região com maior exposição relativa, com 56% do patrimônio sujeito a perdas relacionadas ao clima. A Europa vem em seguida, com 53%.

Nos Estados Unidos e na região que reúne Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África (APMEA), a exposição estimada é de 28%. Segundo a Schneider Electric, fatores como temperatura, disponibilidade de energia, características das redes elétricas e vulnerabilidades da cadeia de suprimentos ajudam a explicar essas diferenças.

Para calcular os impactos financeiros, o estudo considera cinco grandes categorias de risco: sistemas de refrigeração, interrupções operacionais, danos físicos às instalações, perda de produtividade causada pelo calor e custos relacionados às emissões de carbono. O modelo converte esses fatores em estimativas financeiras aplicadas ao fluxo de caixa dos ativos.

Seguros não acompanham o avanço das perdas

O estudo também destaca um cenário cada vez mais desafiador para proprietários de infraestrutura crítica. Em 2025, as perdas provocadas por desastres naturais superaram em aproximadamente US$ 170 bilhões o valor coberto por seguros.

Segundo a Schneider Electric, essa diferença cresce entre 6% e 10% ao ano, aumentando a necessidade de incorporar medidas de adaptação diretamente no planejamento, na construção e na operação dos data centers, já que parte dos prejuízos tende a permanecer sem cobertura securitária.

Além de mapear os riscos, a pesquisa mostra que investimentos preventivos podem gerar ganhos financeiros expressivos. A adoção de medidas de adaptação climática pode preservar cerca de US$ 150 bilhões em patrimônio, o equivalente a uma redução de 30% a 39% da exposição identificada nos diferentes cenários analisados.

Entre as estratégias apontadas estão contratos de compra de energia de longo prazo (PPAs), sistemas de refrigeração líquida, microrredes e a escolha de locais de implantação considerando critérios climáticos. O objetivo é reduzir o impacto de eventos extremos e aumentar a disponibilidade das operações.

“Não é possível precificar o risco climático sem medi-lo no nível de cada instalação. Este modelo elimina esse ponto cego, produzindo avaliações granulares e auditáveis que podem ser escaladas de ativos individuais para portfólios globais e convertidas diretamente em ações de adaptação. As instalações mais resilientes serão aquelas equipadas com tecnologia energética e inteligência capazes de antecipar, adaptar-se e responder aos riscos climáticos”, destacou em nota Frédéric Godemel, vice-presidente Executivo de Energy Management da Schneider Electric.

O estudo (em inglês) pode ser visto neste link.

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